Lembrança de (toda) semana: Bisa Noca
Muitas situações me lembram minha bisavó Serafina, carinhosamente chamada de Vó Noca. Toda tarde, sem exceções, íamos todos: filhos, netos, bisnetos e agregados, em sua casa para conversar e tomar o “chá da tarde”. E nós, as crianças, brincávamos de gato mia, os mais velhos subiam nos armários, pulavam as janelas, e os menores jamais os encontravam. Ou ficávamos balançando na rede, mas não calmamente, e também fazíamos “beliche de rede”. 
Um chá da tarde simples, mas muito gostoso. Sempre pão quentinho com manteiga e café fresco. Aliás, foi aí, vendo meus tios-avós e avó tomando café com tanto gosto, que comecei meu vício pela bebida, o qual continuou quando fui morar em Ribeirão Preto na casa do meu saudoso tio-avô Zé Carlos Sobral, filho da Vó Noca. Via-o tomando café de manhã, tarde, noite e madrugada - e não era só uma xícara. Comecei a acompanhá-lo, sempre, e assim permanece…
Foi nesses chás da tarde também que começou meu gosto, que muitos acham um tanto estranho, de comer pão com manteiga - ou maionese - com goiabada. Adoro, porém, ainda não achei ninguém que me acompanhe nessa “iguaria”. Na verdade, não tenho mais apreciado tanto, pois há comidas que possuem o lugar certo para se comer, no caso, a casa da bisa… Hoje, não tem o mesmo gosto, nem tenho a mesma vontade, tinha que ser lá. 
Havia dias, para variar, que a Dona Inês (que cuidava da bisa) - ou alguma tia - fazia bolinho de chuva, não me recordo muito bem, mas acho que faziam mais quando estava chovendo. Tinha que fazer de monte, pois, como já disse, todos estavam presentes. 
Lembro-me que me achava “grande” quando pediam para eu ir comprar queijo e presunto. O lugar onde comprávamos ficava a um quarteirão da casa, mesmo assim, tinha que atravessar uma rua. E mais, pedir para o atendente! 
Não posso deixar de mencionar os natais: foram tantos com a família reunida, aquele banquete, muitos presentes, amigo secreto, sala cheia. E quando digo cheia, entenda-se cheíssima! Nunca mais foi igual. 
Gostava muito do quarto dela, com a cama de madeira em conjunto com a poltrona, tanto que, agora, fazem parte do meu quarto. E havia também uma penteadeira, com vários objetos, e o que mais me chamava atenção - e o que mais me lembra a bisa - é aquele talco com pompom. 
Para finalizar, também não posso deixar de falar sobre o humor da bisa Noca: brava, brava quando os filhos não chegavam às 17h e sim às 17h30, brava quando os netos chegavam e não a beijavam, brava com os cachorros do meu tio, só que dava comida a eles - daquelas italianas bravas. E é por isso que toda vez que escuto a música Casa de Noca (claro que pelo nome), na voz da Maria Rita, me lembro dela: “Na casa de Noca, quando o couro come / é sinal que a dona quer respeito”.

Lembrança de (toda) semana: Bisa Noca

Muitas situações me lembram minha bisavó Serafina, carinhosamente chamada de Vó Noca. Toda tarde, sem exceções, íamos todos: filhos, netos, bisnetos e agregados, em sua casa para conversar e tomar o “chá da tarde”. E nós, as crianças, brincávamos de gato mia, os mais velhos subiam nos armários, pulavam as janelas, e os menores jamais os encontravam. Ou ficávamos balançando na rede, mas não calmamente, e também fazíamos “beliche de rede”. 

Um chá da tarde simples, mas muito gostoso. Sempre pão quentinho com manteiga e café fresco. Aliás, foi aí, vendo meus tios-avós e avó tomando café com tanto gosto, que comecei meu vício pela bebida, o qual continuou quando fui morar em Ribeirão Preto na casa do meu saudoso tio-avô Zé Carlos Sobral, filho da Vó Noca. Via-o tomando café de manhã, tarde, noite e madrugada - e não era só uma xícara. Comecei a acompanhá-lo, sempre, e assim permanece…

Foi nesses chás da tarde também que começou meu gosto, que muitos acham um tanto estranho, de comer pão com manteiga - ou maionese - com goiabada. Adoro, porém, ainda não achei ninguém que me acompanhe nessa “iguaria”. Na verdade, não tenho mais apreciado tanto, pois há comidas que possuem o lugar certo para se comer, no caso, a casa da bisa… Hoje, não tem o mesmo gosto, nem tenho a mesma vontade, tinha que ser lá. 

Havia dias, para variar, que a Dona Inês (que cuidava da bisa) - ou alguma tia - fazia bolinho de chuva, não me recordo muito bem, mas acho que faziam mais quando estava chovendo. Tinha que fazer de monte, pois, como já disse, todos estavam presentes. 

Lembro-me que me achava “grande” quando pediam para eu ir comprar queijo e presunto. O lugar onde comprávamos ficava a um quarteirão da casa, mesmo assim, tinha que atravessar uma rua. E mais, pedir para o atendente! 

Não posso deixar de mencionar os natais: foram tantos com a família reunida, aquele banquete, muitos presentes, amigo secreto, sala cheia. E quando digo cheia, entenda-se cheíssima! Nunca mais foi igual. 

Gostava muito do quarto dela, com a cama de madeira em conjunto com a poltrona, tanto que, agora, fazem parte do meu quarto. E havia também uma penteadeira, com vários objetos, e o que mais me chamava atenção - e o que mais me lembra a bisa - é aquele talco com pompom. 

Para finalizar, também não posso deixar de falar sobre o humor da bisa Noca: brava, brava quando os filhos não chegavam às 17h e sim às 17h30, brava quando os netos chegavam e não a beijavam, brava com os cachorros do meu tio, só que dava comida a eles - daquelas italianas bravas. E é por isso que toda vez que escuto a música Casa de Noca (claro que pelo nome), na voz da Maria Rita, me lembro dela: “Na casa de Noca, quando o couro come / é sinal que a dona quer respeito”.